MTB 20 anos

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“Mídia Tática Brasil 20 anos”

B. Resumo do Projeto;

Sabemos que boa parte da produção digital radical influencia as mudanças de pautas e comportamentos sociais e políticos nas redes, sendo memória sensível na internet que vivemos hoje. É necessário identificar, associar e promover essa produção de arte, midia e tecnopoliticas no pensamento e cultura de Internet brasileira. Queremos produzir uma pesquisa sobre ativismo artístico, um acervo-livro-ação, com artigos que rememoram essa passagem de tempo, fomentando discussões online com convidados relacionados à chamada de textos, aos memes e aos trabalhos de intervenção urbana enviados através de chamada pública. Somos um grupo de mulheres que vem realizando projetos comuns e compartilhando conhecimentos através de exposições de arte, laboratórios, produção de artigos e encontros. Propomos uma metodologia que dá conta da recuperação, memória e materiais de um amplo conjunto de obras relacionadas às artes, mídias e tecnologias livres no contexto brasileiro, desenvolvidas nos últimos 20 anos.

C. Projeto completo contendo:

Apresentação:

O Festival Mídia Tática Brasil foi um evento de fundamental importância para o cenário artístico, comunicativo e midiático brasileiro, influenciando toda a primeira década dos anos 2000. Seu legado, trazendo a junção uma inédita junção entre artes, redes, tecnologia, mídia e política, permanece fundamental até o momento atual, e a falta de incentivo à sua prática foi amplamente percebida e experimentada na segunda década dos anos 2000.

O Festival Mídia Tática Brasil foi organizado em 2003 por Giseli Vasconcelos, Tatiana Wells e Ricardo Rosas. Prematuramente falecido aos 45 anos de idade em 2007, Rosas foi um pesquisador das inovações em termos de teorias e práticas nas artes, mídias, no pensamento teórico, e na ação coletiva voltadas às políticas emancipadoras, cujas contribuições ainda não foram devida e oficialmente reconhecidas em sua importância para a cultura e as artes brasileiras como um todo.

O projeto “Mídia Tática Brasil 20 anos” tem como objetivo a retomada dos sentidos de coletividade e política nas práticas artísticas e midiáticas, pois entendemos a importância histórica dessas práticas na construção de pensamento e política nas redes, e sabemos de sua permanência sensível, e por vezes invisível, na internet atual. É necessário identificar, associar e promover essa produção de forma que ela resista para além das redes sociais, por isso temos interesse em produzir um acervo-livro-ação que rememora essa passagem de tempo, recortando esta história com a produção do presente.

A proposta desse livro digital multimídia é reunir artigos que recontam e relacionam a trajetória de duas décadas de internet brasileira, e ilustrá-lo, com um acervo de arquivos de áudio, vídeos, e imagens sobre uma produção digital radical desse tempo, selecionada a partir de chamadas de participação para envio  de artigos, memes, e registros de intervenção urbana e digital.

Somos um grupo de mulheres que vem realizando projetos comuns e compartilhando conhecimentos de pesquisa através de exposições de arte, laboratórios de conhecimentos, produção de artigos e participação em conferências e encontros (ver em:  https://midiatatica.desarquivo.org/). Consideramos uma metodologia que dá conta da recuperação, memória e materiais de um amplo conjunto de obras relacionadas às artes, mídias e tecnologias livres no contexto brasileiro, desenvolvidas nos últimos 20 anos.

A rede i-Motirõ como um todo, e todas as proponentes deste projeto compreendem que às práticas de fortalecimento de bases devem ser adicionadas – e principalmente sustentadas – as práticas de manutenção de redes de colaboradores, artistas, ativistas e demais  interessados, conectando diferentes áreas do conhecimento e interessados em produzir pensamentos, práticas e ações voltadas à emancipação dos indivíduos e da sociedade, capazes de agregar novos nós a essa rede, e não selecionar apenas interesses mercadológicos e modos de fazer já estabelecidos, papéis os quais diversas instituições do mainstream artístico já vêm cumprindo de modo bastante efetivo, disseminando e  obtendo lucros e recompensas materiais e, portanto, não necessitando de editais e financiamentos públicos para tal. Juntas acreditamos na rearticulação de redes, na reimaginação política do futuro, repensando o passado para estratégias de articulação coletiva do presente.

Justificativa:

O Festival Mídia Tática Brasil foi realizado primeiramente na Casa das Rosas em 2003, agregando uma cena insurgente no Brasil ligados ao movimento do software livre, rádios livres, licenças abertas, coletivos de arte e intervenção urbana. Teve grande influência sobre a criação do programa de Cultura Digital Pontos de Cultura do Ministério da Cultura (2004), liderado por Gilberto Gil no Governo Lula, que por sua vez chamou dezenas de participantes do MTB para implementar um programa em Cultura Digital a nível nacional. O MTB  ficou conhecido dentro das redes digitais e coletivos de arte como um festival de referência para uma grande quantidade de festivais que aconteceram diretamente depois dele, como Digitofagia (2005); Submidialogia (2006,2007,2009,2010), Tecnoxamanismo (2013, 2016), Comuna Intergaláctica 2017, 2018) entre inúmeros outros.  Além disso, o Festival Mídia Tática Brasil foi fundamental para agregar diversos coletivos de arte e intervenção urbana e foi o estopim para a formação de centenas de ações relacionadas às ocupações urbanas, influenciando diretamente o início da saga dos coletivos de arte, mídia e intervenção urbana junto aos movimentos de moradia de São Paulo como os projetos desenvolvidos na Ocupação Prestes Maia/2003-2007, Ocupação Plínio Ramos/2004, Integração Sem Posse/2004, Ocupação Guapira/2005 e Comunas da Terra/2005, que nos anos seguintes se proliferaram, criando uma cultura de arte em ocupações de forma bastante ativa como  em projetos desenvolvidos no hotel Cambridge, 9 de julho, entre outros, que até hoje se mantém, operando com velhos e novos atores e participantes da cena artística, jornalística, midiática, da sociedade civil como um todo, inaugurando um novo modo de colaboração entre classes capaz de interferir em correlações de força políticas fundamentais para a disputa pela cidade.

 

O projeto “Mídia Tática Brasil 20 anos” tem como objetivo promover a renovação de um cenário obscurecido pela transformação da internet em uma plataforma individualista, neoliberal, capitalizada, que já não opera em coletividade, mas torna todos empresários de si e competidores. Pretende chamar a atenção para a importância histórica  do movimento de criação e manutenção de redes e comunidades digitais, e seus territórios de colaboração e produção de  pensamento crítico. Sua conexão com as atuais gerações é incomensurável, e não vem sendo valorizado como deveria na última década.

 

O efeito prático do abandono de financiamento e incentivo a redes de colaboração simultaneamente artísticas, midiáticas, coletivas e políticas oferecidos pelos editais e por outros órgãos de financiamento público ocorrido especialmente após 2016 é ao mesmo tempo gritante e ensurdecedor. A prevalência de práticas individualistas e tradicionalistas nas artes contemporâneas pós 2016 parecem procurar reforçar o estereótipo de que o período tão fortemente marcado pela coletividade e pela colaboração da primeira década dos anos 2000 foi uma mera moda passageira. Este projeto tem como objetivo eliminar esse pensamento reacionário, que só poderá ser abafado por novas potências coletivas, progressistas, inovadoras e resistentes, desde que conectadas às novas gerações e capazes de multiplicação e disseminação.

 

O projeto “Mídia Tática Brasil: 20 anos” tem também como objetivo homenagear a contribuição de Ricardo Rosas, um dos organizadores do primeiro festival, atualizando as questões por ele levantadas, assim como renovando seu legado mantido em funcionamento através das atuação das feministas e pesquisadoras de mídia, comunicação e artes, Giseli Vasconcelos e Tatiana Wells, também participantes e fundadoras originais do primeiro festival Mídia Tática Brasil (MTB) junto à Rosas. O trabalho dessas duas mulheres foi incansável em relação ao arquivo e à divulgação de práticas emancipadoras, artísticas, midiáticas, antirracistas e feministas, através da manutenção de servidores em cujos arquivos constam teorias práticas de mídia tática e cultura digital crítica brasileiras desde o começo dos anos 2000~ (Arquivos Táticos), bem como o trabalho de construção de uma visualidade capaz de demonstrar imagética e historicamente a importância do movimento de criação e manutenção de redes e comunidades digitais e não digitais de colaboração e pensamento e sua conexão com as atuais gerações, é incomensurável, e não vem sendo valorizado como deveria na última década. Ambas são  integrantes da rede i-Motirõ, através da qual o projeto se inscreve neste edital.

 

A associação cultural i-Motirõ é um coletivo de pesquisadoras, educadoras, ativistas, gestoras e artistas que trabalham com produção de conhecimento interdisciplinar, atuando em projetos pedagógico-educativos e gerando ferramentas de compartilhamento e difusão de saberes e práticas, fortalecendo processos que geram autonomia, envolvimento local, conservação da biodiversidade e das identidades culturais. Nossa história está tramada com a criação de redes autônomas de produção e intercâmbio de conhecimento e tecnologia. Atuamos por uma ética de conhecimentos e ferramentas livres, que podem ser replicados e atualizados em contextos situados. Acreditamos que aqui e agora construímos um futuro mais cooperativo, diverso, com equidade de gênero e justiça social. Há 14 anos a associação i-Motirõ acompanha o frágil cenário político brasileiro na sua transição entre uma utopia tecno-ciente referente a um fazer digital próprio e colaborativo, e o consequente desmantelamento dessas práticas, políticas e imaginários em uma distopia cada vez mais proprietária e extrativista. No ano de 2018  ingressam novas participantes na Associação. Desde então foram realizados os projetos de livros “Em Nossas Artérias, Nossas Raízes” e “Cantos e Encantos” (edição bilíngue Português e Ze’egete), 2023;  intervenções artísticas “Mural Alimentos & Memórias”, em Pedra de Guaratiba, 2022, com a publicação de um caderno de Arte e Agroecologia de Pedra de Guaratiba; projetos pedagógicos “Pedagogia Griô: Ervas de cura, cultura alimentar e agroecologia”, 2020, revivendo como compreendemos e atuamos no mundo; e uma ocupação cultural celebrando a vida de Félix Guattari “Ocupação Guattari”, na Ocupação 9 de Julho e SESC-CPF São Paulo, 2022. Todos os projetos podem ser acessados aqui http://imotiro.org

 

Assim, o projeto “Mídia Tática Brasil 20 anos” pretende fazer  chamadas abertas para as velhas e novas gerações de produtores de conteúdo, desenvolvedores, interventores, coletivos de arte e mídia, buscando conectar os antigos e imemoriais conceitos de solidariedade, coletividade, conectividade e colaboração às práticas atuais de criação de conteúdo, imagens, ações e performances. Buscando a colaboração de influencers e blogueiros, comprometidos com a divulgação de conteúdos benéficos e emancipadores, procuraremos criar através dessa chamada um engajamento em sentimentos e pensamentos que contribuam para uma efetiva transformação da sociedade.

 

Plano de trabalho

com descrição das etapas previstas, cronograma e principais ações do projeto, incluindo a(s) medida(s) de acessibilidade a serem adotadas conforme item 7 deste edital.

 

O projeto tem execução total de 9 meses, sendo 3 meses destinados a pré e pós produção, e 6 meses para organização Livro Multimídia a ser distribuído online gratuitamente, sob licença Creative Commons.

Uma parte do conteúdo deste livro é material de arquivo que vem sendo pesquisado e organizado colaborativamente ao longo desse tempo, como na publicação Net_Cultura 1.0: Digitofagia, na biblioteca de publicações https://midiatatica.desarquivo.org/,  com a servidora que mantem nossos sites no ar https://njira.tech/, e o blog https://midiatatica.net que será o endereço da platafoma do livro.

A publicação será realizada a partir de uma chamada aberta e convite à pesquisadores e autores especialistas sobre os os temas. Os principais eixos temáticos para a chamada de trabalhos serão: 1. Utopia e Reinvenção Política do Futuro, 2. Sobrevivência: Modos de resistir no presente, 3. Retomadas e Coexistências: Relações com diferentes temporalidades ancestrais, presentes e futuras,  além de questões como apropriação crítica das mídias, tecnopedagogias, comunidades em rede, truquenologias, cosmotécnicas etc entrelaçando as prementes questões da organização política em redes de pertencimento e de comunicação no país, nos campos das artes e mídia tática combinados.

Compreendemos também que uma similar dimensão geracional se faz necessária para essa pesquisa, por isso a importância de se criar instersecções públicas com chamadas para participar do processo de construção e diálogo nessa história comum a tantas de nós. Assim propomos:

  1. Três (3) encontros públicos online com participação de convidados  como autores, artistas e coletivos que participaram e colaboraram com o festival há 20 anos atrás, assim como pensadores e teóricos que acompanham e pesquisam a cultura digital brasileira através de videoconferências intercaladas entre os meses de execução do projeto. Os encontros serão gravados para disponibilização gratuita, e essa produção de video também reaproveitada para produção (stories, reels, tiktok etc) de campanhas, chamadas para as Olimpíadas, e divulgação do projeto.
  2. A Olimpíada de Memes. Chamada aberta voltada a assuntos de máxima urgência como temas geopolíticos, questões ambientais, sociais e culturais, com promoção de políticas interseccionais (gênero, raça, classe). Também assuntos referentes a acontecimentos históricos.  A Olimpíada terá várias categorias e para cada categoria serão convidados um corpo de jurados, conforme sua especialidade no assunto. Os três melhores memes de cada categoria ganharão prêmios de incentivo e serão publicados no livro “Mídia Tática Brasil 20 anos”. Os melhores memes serão promovidos em nossas redes sociais. Todos memes participantes deverão utilizar o formato Creative Commons. Os resultados das Olimpíadas de Memes serão divulgados na página de instagram do Mídia Tática Brasil, assim como em https://midiatatica.net/
  3. Chamada aberta para a divulgação de registros de imagens para trabalhos de intervenção urbana e digital, tais como projetos de lambe-lambes, performances, instalações, intervenções tecnológicas, etc baseados nos temas propostos no livro.O objetivo da chamada de trabalhos é realizar um levantamento imagético e visual das criações que envolvem a articulação entre artes, cultura, comunicação, mídia e organização política, bem como estimular a produção e invenção artística voltada à invenções e reinvenções de possibilidades de resistência ao presente. Ele será realizado tanto através de uma chamada aberta, convocando indivíduos e coletivos disseminarem propostas já realizadas que apresentem-se de modo inovador em relação ao mundo atual e seus desafios.

Sobre a potência de rede colaborativa, para ajudar na infraestrutura de organização, divulgação e campanha, pensamos em uma forma de ter alianças com iniciativas que já desenvolvem estruturas web de comunicação, segurança, interface etc. Por exemplo, temos interesse em trabalhar em colaboração com iniciativas tais como    https://www.bonde.org/, https://museamami.org/sobre/, e https://mariavilani.vedetas.org/ , https://bombozila.com/ https://www.coolab.org/, https://raulhc.cc/, https://plantaformas.org/ rearticulando as propostas de ocupação da Casa das Rosas (São Paulo) do início dos anos 2000, resignificando-as na dimensão do digital.

 

Cronograma

Etapa 1: Pré-produção | Duração: 2 meses
Contratação de equipe; Escrita das chamadas; Pré-seleção de assuntos e textos; Primeiro encontro público e online; Gravação/edição video conferência; Upgrade no site midiatatica.net.

Etapa 2: Produção | Duração: 1 mês
Divulgação das chamadas para artigos e trabalhos de intervenção urbana e digital; Lançamento da Olimpíadas de memes; Campanhas visuais (incluindo stories, reels, tiktok); Divulgação  nas redes sociais.

Etapa 3: Produção | Duração: 3 meses
Análise das contribuições; Organização dos arquivos; Edição do material digital;  Elaboração do livro; Revisão de textos; Disponibilização online; Segundo encontro público e online.

Etapa 4: Produção | Duração: 2 mês
Seleção das contribuições; Divulgação dos memes nas páginas na rede social; Editoração e revisão do livro.

Etapa5 : Pós- Produção | Duração: 1 mês
Pós-produção do projeto; incluindo divulgação dos arquivos; Terceiro encontro público e online; Finalização do projeto.

 

Orçamento completo, a fim de orientar a Comissão de Seleção em suas decisões.

 

Ficha Técnica
(contendo número de participantes, funções previstas no projeto e breve currículo da equipe já definida).

 

Temos um produção executiva representada pela i-Motirõ (Tatiana Wells), coordenação do projeto, coordenação editorial, grupo curatorial (Arquivos Táticos) e curadores responsáveis para livro e Olimpíadas, revisores de texto, diagramador/designers (ebook, website, peças publicitárias), desenvolvedor/administrador web, comunicador (redes sociais).

 

ASSOCIAÇÃO PROPONENTE
http://www.imotiro.org/ 

 

A associação cultural i-Motirõ é um coletivo de pesquisadoras, educadoras, ativistas, gestoras e artistas que trabalham com produção de conhecimento interdisciplinar, atuando em projetos pedagógico-educativos e gerando ferramentas de compartilhamento e difusão de saberes e práticas. As ações desse coletivo fortalecem processos que geram autonomia, envolvimento local, conservação da biodiversidade e das identidades culturais. Nossa história está tramada com a criação de redes autônomas de produção e intercâmbio de conhecimento e tecnologia. Atuamos por uma ética de conhecimentos e ferramentas livres, que podem ser replicados e atualizados em contextos situados. Acreditamos que aqui e agora construímos um futuro mais cooperativo, diverso, com equidade de gênero e justiça social.

Há 14 anos a associação i-Motirõ acompanha o frágil cenário político brasileiro na sua transição entre uma utopia tecno-ciente referente a um fazer digital próprio e colaborativo, e o consequente desmantelamento dessas práticas, políticas e imaginários em uma distopia cada vez mais proprietária e extrativista. No ano de 2018 i-Motirõ passa por sua mais transição, trocando sua diretoria e promovendo projetos de livros (“Em Nossas Artérias, Nossas Raízes” e “Cantos e Encantos”, edição bilíngue Português e Guarani, 2023 e caderno de Arte e Agroecologia de Pedra de Guaratiba, 2022) e intervenções artísticas (Ocupa Guattari, Ocupação 9 de Julho – SESC CPF – Casa do Povo, 2022 e Mural Alimentos & Memórias, Pedra de Guaratiba, 2022) e pedagógicas (Pedagogia Griô: Ervas de cura, cultura alimentar e agroecologia, 2022), revivendo como compreendemos e atuamos no mundo.

 

PRODUÇÃO EXECUTIVA
Tatiana Wells

Pesquisadora, escritora diletante, produtora de ações e eventos nos intersticios da arte critica, midia tatica e tecnologias livres, festivais e laboratórios como Mídia Tática Brasil (2003), Digitofagia (2004), Submidialogia (2004-2010) e o lab independente IP:// (Rio de Janeiro, 2004-2014) midiatatica.net. Trabalhou dois anos como Implementadora Social junto ao Ministério das Comunicações (GESAC) com alfabetização crítica em software livre junto à educação em escolas públicas, comunidades indígenas, assentamentos e áreas rurais de todo o Brasil. Colaborou também em Arquivos Táticos (2019) – cartografia visual e laboratório feminista, e mimosa (2009) mídia móvel sociedade anônima – reciclagem de hardware e estética nômade. Tem como eixo de mundo a pequena vila de Pipa no litoral potiguar aonde é produtora e curadora Cineclubista. Atualmente´re candidata a MPhil pela Universidade de Liverpool, Inglaterra (2020-~). É colaboradora e produtora de projetos ligados à Associação Imotirõ com foco em projetos de arte e tecnologia crítica no Brasil https://imotiro.org/

http://baobavoador.noblogs.org/, https://midiatatica.net/, https://midiatatica.desarquivo.org/ e

http://cineclubedapipa.wordpress.com/

 

COORDENAÇÃO GERAL
Giseli Vasconcelos

Artista, produtora e pesquisadora independente. Mestre em Estudos Contemporâneos em Artes pela UFF/RJ, e  graduada em Artes Visuais pela Unesp-IA, suas iniciativas discutem mídias e tecnologias relacionadas ao cenário brasileiro de arte e ativismo. Realiza projetos que se caracterizam pela junção de redes colaborativas para realização de festivais a laboratórios experimentais e publicações, entre temas que examinam as mídias táticas, cultura das redes e de internet, cultura local e pedagogias radicais.

Vasconcelos concebeu e produziu  festivais, oficinas, encontros e workshops tais como Mídia Tática Brasil (N5M4 -2003 ), Digitofagia (MIS/SP – 2004) e Autolabs (ZL/SP – 2004). Foi co-organizadora da publicação Net_Cultura 1.0: DIGITOFAGIA (2008), financiado pelo programa internacional Waag Sarai Exchange Platform e Radical Livros.  Na cidade de Belém (PA), realizou ações de rua pela Rede Aparelho []-: (2005-10), além de produzir a edição norte do festival arte.mov 2010 e do programa Networked Hacklab (2011-12). Organizou entre 2011 e 2013 a publicação Dossie: Por uma cartografia crítica da Amazônia, documentação sobre o referencial cultural, político e conflituoso da região. Também em 2013, participou do programa EMERGE NYC desenvolvido para artistas/ativistas/performers da cidade de Nova Iorque. No Rio de Janeiro, participou do programa de residência CAPACETE (2015) e de iniciativas públicas e educadoras como CTO na Maré – Centro do Teatro do Oprimido na Favela da Maré, Labceus – laboratório de cultura digital realizado através de parceria com o Ministério da Cultura e com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

 

Seus projetos colaborativos já foram difundidos na Bienal de São Paulo, N5M (Amsterdã), Salão Arte Pará, Frei_raum Museum Quartier (Viena), Capacete Entretenimentos, FILE– Festival Internacional de Linguagens Eletrônicas, Memefest – International Festival of Radical Communication, Salão Xumucuís (PA), plataforma Lastro, etc.

 

COORDENAÇÃO EDITORIAL
Milena B. Durante

Graduada em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP (2002); Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia – UFBA (2013); Especialista em Tradução Inglês-Português – Alumni (2015) e em Tradução Literária –Casa Guilherme de Almeida (2017) e Doutoranda em Artes Visuais pela Universidade de São Paulo – ECA-USP (2020-2025), Milena B. Durante vem pesquisando a intersecção entre artes visuais e práticas coletivas desde o início dos anos 2000.

Foi membro fundadora do coletivo EIA (Experiência Imersiva Ambiental), no qual atuou organizando chamadas abertas para a realização de intervenções urbanas, performances e outras ações artísticas nas ruas de São Paulo entre 2004 e 2008, bem como debates e ações coletivas relacionadas às disputas pela mídia, pelo campo das artes, levantando questões relacionadas ao direito à cidade e a práticas e experiências urbanas, coletivas e artísticas.

Em 2013 defendeu a tese “Ações coletivas na cidade: desejo, criação e resistência”, orientada por Paola Berenstein na FAUUFBA, tratando das questões de resistência aos projetos de gentrificação durante o Projeto Nova Luz na cidade de São Paulo durante a gestão Serra-Kassab e a colaboração entre artistas e moradores da ocupação Prestes Maia entre 2003 e 2007. Em 2014 realizou pela FUNARTE, juntamente com Daniel Lima (Invisíveis Produções) e Fabiane Borges o projeto “COPAS: 12 cidades em tensão”, reunindo artistas e pesquisadores das 12 cidades-sede da Copa do Mundo para a produção de ações artísticas, performances e textos refletindo o impacto da Copa em cada uma das cidades, culminando na publicação do livro de mesmo título.

Atualmente pesquisa a colaboração entre artistas e ocupação Prestes Maia e sua eficácia política na intersecção entre o campo da arte e da comunicação, envolvendo as perspectivas políticas dos movimentos de moradia nos anos 2000, que dariam início a diversas outras colaborações entre artistas e ocupações nas décadas seguintes e até o momento presente. A tese intitulada “Quando a obra não está”, orientada por Dária Jaremtchuk, será defendida na ECA-USP em 2025. Desde 2010 vem traduzindo importantes textos envolvendo o debate de práticas participativas, colaborativas e coletivas nas artes visuais, incluindo o artigo “Antagonismo e Estética Relacional” de Claire Bishop, publicado pela primeira vez em português em 2011 na revista Tatuí, entre diversos outros artigos e livros de autoras relacionadas às artes, ao trabalho e ao feminismo, como Donna Haraway, Jodi Dean, Silvia Federici etc. Publicou um artigo sobre os trabalhos de Tony Cokes e Antonio Dias na Revista Select em 2021 e foi responsável pelo texto sobre o artista Walmor Corrêa na exposição “Contar o Tempo” no Centro MariAntônia em 2022.

 

COORDENAÇÃO OLIMPÍADAS DE MEMES
Fabiane M. Borges

Fabiane Morais Borges é psicóloga clínica e pesquisadora. Tem se dedicado nos últimos 15 anos aos estudos da Subjetividade com foco na arte, ciência e tecnologia e em como isso se relaciona com a emergência climática e sustentabilidade. Teoricamente tem produzido artigos para revistas e livros nacionais e internacionais que pensam a relação da psique humana com as mudanças de paradigmas tecnocientíficas da contemporaneidade, utilizando para isso estudos da filosofia da ciência, análises psicológicas (e psicopatológicas) e teorias da arte contemporânea. Pragmaticamente tem desenvolvido uma série de projetos institucionais como no INPE e USP, aproximando processos da subjetividade com projetos tecnocientíficos e estéticos. Foi organizadora original dos projetos de Arte e Movimento de Moradia ACMSTC(Arte Contemporânea no Movimento dos Sem Teto do Centro) e Integração Sem posse, realizados na Ocupação Prestes Maia entre 2003 e 2007.  Foi participante e fundadora dos festivais de Tecnoxamanismo de 2014 em diante, realizados em Londres/Inglaterra, Aarhus e Copenhague/Dinamarca, Berlim/Alemanha, Aldeia Pará e Arraial d’Ajuda/Bahia/Brasil, etc), ou Comuna Intergaláctica realizada no Rio de Janeiro (Observatório do Valongo/2017) e São Paulo (Planetário do Ibirapuera/2018). Além disso é propositora de cursos de arte e clínica que relacionam arte, tecnociência, geopolítica e processos imersivos subjetivos, como o Futuros Sequestrados X o Anti Sequestro dos Sonhos de 2016 em diante.  Participou como artista ou palestrante em eventos internacionais como Transmediale/2015-2016, STWST/Ars Electronica Linz, Austria/2019-2022, Global Periphery (Olats-Leonardo  Paris/França/2022, International Astronautical Congress/Paris/2022), ITACCUS/Paris/2022, CIACT/SAD 07/Belo Horizonte, Brasil/2023, LABIM/Rio de janeiro/Brasil/2022,  Ocean Week São Paulo/2023, entre outros.

 

Fez Graduação em Psicologia /  (Urcamp/RS – 1992 a 1998), Mestrado (2003-2007) e Doutorado (2008-2013)  em Psicologia Clínica no núcleo de Subjetividade PUC/SP (Capes). Dissertação de mestrado sobre Arte e Subjetividade no contexto Urbano, dando ênfase à arte/política e arte/mídia, publicada sob o nome Domínios do Demasiado-/Ed. Hucitec/2010. Tese de Doutorado sobre Cultura Espacial, onde investigou as relações subjetivas, políticas e culturais construídas em torno da Corrida Espacial, analisando discursos técnico-científicos, ficcionais, futuristas, midiáticos, acercando-se das utopias e distopias em voga nas diferentes décadas e nos diferentes países envolvidos na Corrida. Estágio de doutoramento no Programa de Artes Visuais da Goldsmiths University of London 2010-2011 (Capes), que facilitou o conhecimento da área da Arte e Tecnologia de forma mais abrangente e internacional. Pós-doutorado em Artes Visuais (2016-2018) no PPGAV/UFRJ, onde continuou a pesquisa sobre Arte e Tecnociência com ênfase na Arte/Cultura Espacial. Durante o Pós-doutorado firmou-se como pesquisadora de Arte/ciência/tecnologia, tendo publicado artigos, organizado eventos, feito curadoria de exibições e exposições nacionais e internacionais, sempre colocando a questão dos processos de produção de subjetividade como critério fundamental. Pós doutorado em Relações públicas, publicidade e turismo na ECA/USP (2019) que lhe proporcionou uma nova visão sobre a nova arte e tecnologia. Pós-doutorado no INPE/SP (07/2019 – 08/2022 – bolsa PCI/CNPQ), sobre arte e tecnologia espacial, onde aprofundou seus conhecimentos sobre a área de sistemas terrestres e espaciais. Durante esse período fez uma série de eventos, residências artísticas e criou a categoria ArtSat (Arte de Satélites) no INPE e no Ministério da Ciência e Tecnologia nas olimpíadas de satélites. Escreveu e/ou organizou livros e revistas relacionadas a Arte, Tecnologia e Subjetividade como: Extremophilia – Subjetividade, Arte e Ciências Espaciais – Revista Das Questões /UNB/2018; Tecnoxamanismo – Ed. Invisíveis Produções/2016; Peixe Morto – Ed. Imotirô/2012; Ideias Perigozas- Ed. Imotirô/ 2010 (relançado em 2017); entre outros. Atualmente é colaboradora do Diversitas/FFLCH/USP, onde desenvolve pesquisa sobre Subjetividade, Tecnociência e Diversidade.  Desde o começo da carreira atua de forma transdisciplinar entre os campos da Psicologia Clínica, Arte e Cultura e Tecnociência.

 

INFRAESTRUTURA DIGITAL
Adriana Veloso

Doutora em Ciência Política e mestre em Design de Interação pela UnB. Trabalhou como coordenadora de cultura digital para o Ministério da Cultura (MinC) entre 2005 e 2009 e posteriormente entre 2014 e 2016. Foi consultora PNUD do Ministério Justiça. Atua como consultora nas áreas de cultura digital, educação e novas tecnologias, inovação aberta, software livre, produção audiovisual, usabilidade/ux e gestão de redes.

 

Cristina (Tininha) Llanos

Atualmente responsável pela Residência Artística e Pousada Sítio da Capivara, localizada no Serra da Capivara, abrigo das mais antigas pinturas rupestres e registros da presença humana das Américas, no Piauí, Cristina Llanos foi uma das iniciadoras das práticas democratizantes de chamadas abertas para eventos culturais e artísticos de intervenção urbana e ações coletivas no Brasil, com o evento Salão de Maio em Salvador, na Bahia em 2004 e 2005 – em colaboração com o coletivo GIA do qual foi membro-fundadora –, que logo após os eventos SPA das Artes em Recife, ajudariam a estabelecer a base para diversos outros festivais de artes urbanas em diferentes regiões do Brasil.

Esses festivais, às vezes em parceria com os diversos editais de financiamento das artes que se proliferariam ao longo dos anos 2000, entre eles, os da FUNARTE – que por sua vez também foram elaborados através das Câmaras Setoriais e através da iniciativa e ação de vários coletivos e indivíduos da sociedade civil –, auxiliaram na geração de fundamentais confluências de artistas voltados às ideias e exercícios de mídia tática e práticas artísticas voltadas à coletividade, à intervenção política e à interação com as realidades urbanas e rurais no país, com derivações posteriores como Experiência Imersiva Ambiental – EIA (2004, 2005, 2006, 2008-SP), BNB Agosto das Artes, Festival Interurbanos (2007-CE); Encontro Multiplicidade (2007,2008-ES); e os mais diversos encontros com coletivos como Grupo Empreza (GO); Coletivo Madeirista (RO); Edson Barrus (PE); Grupo Poro (MG) etc estabelecendo uma rede nacional de artistas conectados de todas as regiões cujas práticas iam além daquelas já estabelecidas pelo mercado, e voltavam-se à disseminação de conteúdos contra-hegemônicos nas artes, em sua maioria, incapazes de serem absorvidos pelos mercados.

Essa combinação de festivais autogeridos e auto-organizados para a qual Llanos contribuiu não só auxiliou na criação de um circuito alternativo às artes contemporâneas mainstream como também constitui-se como um percurso formador para diversos outros artistas que, posteriormente, fariam e ainda fazem parte do grande circuito atual.

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